domingo, 26 de dezembro de 2010

Extrato Fluidos Silva Araújo –Agoniada

 

Plumeria lancifoliata Müll e Willd- Apocynea -

Árvore que abunda na Serra do Mar, de madeira rija e às vezes de caule volumoso prestado-se a construção de caixas.

Parte Usada: Casca e folhas, sobretudo aquelas, cuja cor é vermelha e se enroscam quando secas.

Propriedade Terapêuticas: As cascas de agoniacascas e floresda são muito usadas, como purgativo, tendo ação especial nas linfatites, adenites, escrófulas e ingurgitamentos ganglionares.

A ação purgativa da Agoniada é aproveitada nas dermatoses simples e nas congestões uterinas, dismenorreias, etc…

Análises químicas revelaram a existência de um alcaloide na agoniada, que foi denominado agoniadina. Este alcaloide foi empregado na dose de 10 a 25 centigramas contra o plasmódio de Laveran.

Esta planta constitui um magnifico terapêutico. Deve ser experimentada pelos médicos.

Martius, na sua Flora Brasiliensis descreve esta planta como medicamento popular, de ação poderosa nas afecções histéricas, na clorose, nas mestruações difíceis, irregulares e dolorosas e nas febres intermitentes.

Sendo planta excessivamente amarga, e de vantagem nas atonias gastro-intestinais e nos catarros crônicos.

Também aplicado na asma, e seu nome vem justamente desta ação especial, aliviando os asmáticos da respiração difícil e dispneia, constituindo uma verdadeira agonia.

Empegam-se as casas que, secas, se enrolam formando tubos.

O extrato fluido pode ser usado até 5grs em um veículo qualquer, nas adenites, e como purgativo na dose de 10grs.

Empregada com resultado nas inflamações do útero e ovário, nas cólicas de menstruação e na suspensão menstrual. Aconselha-se nas metrites, endometrites e corrimentos.

Extrato Fluido: Dose: extrato fluído, a melhor forma para ser empregada a agoniada, deve ser usada na dose de 15c.c. em água diariamente e dividido em 3 porções, nas linfagites, adenites agudas e bubões, e na dose de 20 a 30c.c. como purgativo, nas erupções da pele, congestões da mucosa uterina, mestruação irregular.

Bibliografia: Catálogo de Extratos Fluidos Silva Araújo, pág7

domingo, 19 de dezembro de 2010

Systema de Matéria Médica Vegetal Brasileira

Car. Fred. Phil. Von Martius -1854

Mytaceas

Pitangueira (eugenia uniflora): eugenia é o noPitangasme de uma espécie de uva em latim

Ibipitanga

Eugenia Michelli, plina rubra.

O fruto, pitanga, recomendável pela cor, sabor acidulo-doce, com razão é contado entre os mais belos presentes da natureza. Preparar-se-ão com ele calda, vinho, e vinagre, que tem vários usos medicinais.

Grumixameira (eugenia Brasiliensis, eugenia. grumixama)

O fruto, grumixama, mucilaginoso-sacarino, mais seco que o precedentes, um pouco adstringente, tem os mesmos usos.

Jabuticabeira (eugenia cauliflora, que tem o talo florido; com flores sésseis)

O fruto, jabuticaba, pode comparar-se ao precedente em sabor e propriedades.

Cambuhy (eugenia crenata com folhas recortadas)

Guaviroba, Rio Grande do Sul (eugenia variabilis)

Guaviroba ibidem (eugenia xanthocarpa, verde)

Guaviroba, Pará (eugenia myrobalana, de myrobalanum, nome latino de certa planta)

Pitangueira do mato, S. Paulo (eugenia ligustrina, nome de alfineteiro em latim)

Uvalha, S. Paulo (eugenia uvalha)

Cagaiteira (eugenia dysentrica)

Estas e varias outras espécies produzem fruto acido-doce, mais ou menos sacarinos, e ao mesmo tempo subadstringentes, que cultivados se poder tornar excelentes. A eugenia uvalha e a disentérica abundam em ácido málico.

Guabiroba, Rio Grane o Sul (myrtus mucronata, aguçada)

O mesmo que a respeito dos precedentes.

Araçá em tupínico (psidium, nem em latim nem em grego encontramos nome parecido)

Araçá Mirim , araçá-iba (psidium araçá, psidium pyriferum, que produz pedra)

Pasidium, guajava

Guaiába (pyriferum)

Araçá-guaçu (pomiferum)

As espécies referidas de psidio e outras, produzem frutos comestíveis, insignes pela sua matéria sacarina, e pela feliz união da mucilagem com o princípio adstringente, o que os torna nutritivos e corroborantes dos intestinos. Crus são muito estimados, mas os naturais preferem cozidos ou em doce.

Jambeiro (jambosa vulgaris, eugenia jambos) importada da Índia.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Baldroegas ou Beldroegas

Portulaca Oleracea, L.

Família Portulaccas, grupo Calandrineas beldroega

É uma planta que vegeta em todas as partes do mundo; já os antigos a conheciam. Em todo Brasil é conhecida; os índios usavam varias espécies de Portulaca com o nome de caá-rerú, denominação que davam a varias plantas comestíveis.

As folhas mucilaginosas são usadas em saladas, cozidas em caruru e ensopadas com carne , constituindo um alimento fresco, de fácil digestão, porém de pouco valor nutritivo.

Para uso médico, aplicam-se as folhas socadas como cataplasma sobre as úlceras, e tem um efeito detergente; cozida forma um cataplasma ante-hemorroidário; internamente, o cozimento tem efeito diurético, e usa-se contra a gonorreia.

Beldroegaflor

(1) Theodoro Peckolt; História das Plantas Alimentares e de  Gozo do Brasil

domingo, 28 de novembro de 2010

Theodoro Peckolt: O Farmacêutico e a Flora Brasileira

 

Theodor Peckolt nasceu em Pechern, na Silésia alemã, em 13 de junho de 1822. Sua paixão pela química e pelas plantas começou muito cedo. Peckolt revelou sua vocação, trabalhando como prático em farmácias. Mais tarde, prestou serviço militar coTheodoro-Peckoltmo farmacêutico na fortaleza de Glogau. Estudou farmácia, posteriormente, nas Universidades de Rostock e Gottingen e, em 1846, começou a trabalhar no Jardim Botânico de Hamburgo. Foi contemporâneo de importantes cientistas como von Martius, Eichler, Wiegand, Goeppert, Hanbury, Oberdoerfer e Dietrich. Reconhecendo aptidões de Peckolt, von Martius o induziu a visitar o Brasil na excursão científica de 1847, a fim de estudar a flora tropical e remeter-lhe o material colecionado. Peckolt embarcou no navio “Independência” em 28 de setembro. chegou ao Brasil em novembro e aqui permaneceu os restantes dos seus 65 anos de sua vida.

Em janeiro de 1848, Peckolt empregou-se na farmácia de Mariolino Fragoso, e como havia aprendido nossa língua em uma pequena gramática da língua portuguesa que havia copiado e decorado na viagem de navio, as pessoas não conseguiam entender o que falava em português. Todas as conversas eram feitas por escrito, que Peckolt traduzia por dicionário. Foi desta forma que aviou suas primeiras receitas. Nos sete meses em que ficou nesta farmácia. Peckolt aprendeu a falar português sofrível e conseguiu juntar o dinheiro necessário para comprar um animal de sela e preparar a viagem. Tudo apesar dos apelos de Fragoso, que lhe propôs fazer o exame de suficiência e dar-lhe sociedade na farmácia.

Em setembro de 1848, Peckolt começou sua exploração do país, viajando a cavalo, percorreu as Províncias do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, estudando-lhes a flora. Existiam, então poucos médicos no interior e os conhecimentos farmacêuticos do jovem naturalista colocavam-no na posição vantajosa de poder prestar reais serviços aos doentes que o consultavam. Como compensação destes serviços recebia, além dos honorários, objetos interessantes de história natural e contribuições valiosas para a sua coleção botânica. No início de 1850, passou algum tempo com os botocudo nacnanoue do Rio Doce, antes de voltar pra o Rio de Janeiro. Os recursos que poupou permitiram a Peckolt manter-se na Corte por algum tempo. Apresentou-se ao exame farmacêutico na Escola de Medicina do Rio de Janeiro em julho de 1851 e foi aprovado .

Em novembro do mesmo ano, estabeleceu-se em Cantagalo, Rio de Janeiro, a convite de médicos e fazendeiros alemães e suíços. Ali comprou uma farmácia e casou-se, em 12 de junho de 1854, com D. Henriqueta, filha do vigário protestante da colônia alemã de Friburgo, cidade da qual foi um dos fundadores. Peckolt preferia Cantagalo a Friburgo porque a cidade estava mais próxima das matas do vale do rio Doce, o que tornava as expedições mais baratas. Viajava em companhia de dois índios como guias e para maior segurança, acompanhava as tropas do exército que por ali passavam. Em suas viagens percorreu grande parte do vale do paraíba e as margens dos rios Pombas e Doce. Atravessou grande parte do estado de Minas, fazendo de Diamantina seu centro de operações. Sua contribuição para a Flora Brasiliensis, de von Martius, foi vultosíssima, distinguindo-se este cientista com a máxima confiança. Sua colaboração não se limitou ao fornecimento de materiais: von Martius e seus colaboradores enviavam-lhe as provas tipográficas de textos e desenhos para que fossem comentados e corrigidos. Nestas excursões colheu muito material até então desconhecido, que hoje enriquece o Museu Nacional no Rio de Janeiro, vários museus na Alemanha, e museus e Estocolmo e Upsala.

Peckolt permaneceu em Cantagalo até 1868, e ali realizou cerca e quinhentas análises quantitativas de extrato de plantas da flora brasileira, grande parte das quais foram publicadas em revistas internacionais. Algumas destas análises ainda hoje são únicas, como a do guaraná da Amazônia. Ele estudou plantas brasileiras de diversas famílias, observando as condições nas quais vivem e se multiplicam, recolheu dos nativos informações sobre nomes triviais, usos e propriedades farmacêuticas. O herbário fornecia-lhe os meios para a comparação morfológica as numerosas espécies e, no laboratório, Peckolt aprofundava o trabalho, obtendo informações detalhadas sobre a composição química das plantas medicinais, seus alcaloides e outras substâncias de extração. “Não conhecemos”, diz Hermann von Hering “outro exemplo de naturalista , versado igualmente, em estudos botânicos e químicos, que tão profundamente tivesse estudado e esclarecido por investigações próprias, o estudo econômico, farmacêutico e químico de qualquer flora tropical”. Peckolt ocupou-se também de questões zoológicas, dentre as quais destacamos o estudo das Trigoniidas, as abelhas sociais do Brasil.

No período de 1852 a 1867, ainda residente em Cantagalo, recebeu muitas horarias acadêmicas, foi nomeado. Membro Correspondente da Real Sociedade Botânica de Regensburgo, recebeu igual distinção da Real Sociedade Farmacêutica da Alemanha. Foi feito Doutor Honoris Causa da Academia Cesária Leopoldino-Carolino-Germânica, instituição alemã que gozava então de grande prestígio. Em 1864, foi nomeado Oficial da ordem da Rosa, por sua participação na Exposição Nacional do Rio de Janeiro, 1861, na qual obteve medalha de ouro. Os produtos que então apresentou incluíam frutos, sementes, cascas, raízes, óleos, resinas, gomas, sucos e extratos, dentre outros e estavam prontos para uso farmacêutico. Esta coleção foi integralmente remetida para a Exposição Universal de Londres, 1862, “sendo recomendada não só pelo seu interesse científico, como ainda pelo alcance que alguns dos preparados que aí se encontram, podem e devem ter relação aos interesses das indústrias e sobretudo da farmacologia.

Em abril de 1868 mudou-se definitivamente para a Corte, onde fundou a Farmácia Peckolt, na rua da Quitanda 157. Nela mandou construir um laboratório em que continuou a analisar nossas plantas. Pouco depois recebeu, das mãos do Duque de Saxe, um dos genros de D. Pedro II o título de Farmacêutico da Casa Imperial.

É singular, que os resultados obtidos por este incansável cientista tivessem sido tão pouco conhecidos e apreciados no país que ele adotou. Com seu falecimento em 1912, desaparece o último representante dos botânicos como Glaziou, Ule, Dusen, Mueller e Barbosa Rodrigues, que por numerosas publicações e criação de coleções promoveram o conhecimento da flora do Brasil.


Bibliografia:

Revista Química Nova Set/ out 1998 Vol. 21 nº 5 pág. 666 a 670

Theodoro Peckolt: Naturalista e Farmacêutico do Brasil Imperial

autores: Nadja Paraense dos Santos; Ângelo C. Pinto e Ricardo Bicca de Alencastro

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

SAPUCAINHA

Rodolpho Albino Dias da Silva

Capatroche brasiliensis Enndl. Gen

Habita o estado do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espirito Santo, Bahia até o Piauí.

Floresce de dezembro a janeiro e tem frutos maduros em junho.

A parte usada terapeuticamente é o óleo extraído das sementes. Como no mercado se encontram geralmente essas sementes, para que possam ser seguramente identificadas.Sapucainha

Secas e privadas do arilo, como se apresentam no comercio, são obscuramente trigonas, ovoides, mais ou menos angulosas e deprimidas por precisão reciproca; medem de 15 a 20mm de comprimento. Sua superfície externa é de cor amarelo-pardacenta, pintalgada as vezes de manchas pardas mais escuras e estriadas longitudinalmente. Na região da chalaza, presentam uma vasta cicatriz umbiliforme.

A amêndoa é de cor pardo-avermelhada ou pardo-acinzentada e finalmente estriada superficialmente; o albume, volumoso, é carnudo e óleo, de cor pardo amarelada ou esbranquiçada; o embrião cor pardo-amarelada  ou esbranquiçada; o embrião é branco, glabro e mede cerca de 6-8mm de comprimento; é formado por uma radícula cilíndrica, de base dilatada e dois cotilédones, com uma nervura mediana e duas laterais.

Propriedades Terapêuticas

O povo emprega a polpa do fruto como peitoral, e os frutos verdes contusos são usados em lavagens para matar insetos nos animais.

As sementes reduzidas a pasta são empregadas externamente contra diversas afecções da pele; o óleo, que dela extrai, é também usado com o mesmo fim.

Sua ação específica contra o bacilo da lepra realiza-se a custa dos seus ácidos graxos não saturados, isto é, dos ácidos chaulmogrico e hidnocarpico.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Maririçó, Capim Rei ou Batatinha Amarela

Sisyrinchium galaxoides, Fr Allemão ou Poarchon fluminensis, Fr Allemão

É uma pequena planta que se assemelha pelo porte a um  pé de capim, donde vem o nome de Capim-rei

É encontrada em estado selvagem nas matas do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Também é muito cultivada nos jardins como planta medicamentosa.

Tem um pequeno rizoma tuberoso que atinge o tamanho mais ou menos de uma grande avelã, arredondado, emitindo em sua circunferência raízes fibrosas um pouco grossas com a parte interna de cor amarela de abobora.

Folhas radicais dispostas em leque de 20-30 centímetros sobre sob um centímetro de largura na parte inferior e de 2 a 3 linhas na parte superior; as flores, de cor amarela em número de 1-2, pedunculadas, dispostas em uma haste comprida e fina que parte do centro das folhas; fruto capsular, oval-triangular.

A raiz tuberosa não tem aroma, mas um ligeiro sabor adocicado. Da tubera extra-se uma fécula contendo um principio resinoso, ao qual pode com razão ser atribuída a ação laxativa e mesmo purgativa que possui aquela parte do maririçô

Essa resina pode ser separada, tratando-se a fécula pelo álcool fervendo.

A raízes tuberosas são usadas como purgativo, para um adulto na dose de 2-3 tuberosa contusas, com 180 gramas de água, coado em pano fino e dado a tomar o liquido em duas doses.

As tuberosa secas, reduzidas a pó, são usadas como laxativo na dose de 15 a 20 centigramas e nas afecções dadosas, na dose de 5 a 10 centigramas algumas vezes por dia.

São também empregadas em clisteres nas obstruções das crianças, em infusão de 2 gramas das tuberosa para 120 ml de água fervendo, e nos adultos contra as hemorroidas nas doses de 8grs para 120 ml de água fervendo.

domingo, 24 de outubro de 2010

Aloe Barbadenses - Mill

Já se vão séculos que a babosa é cultivada em quase todos os jardins do Brasil. Nos escritos de Vicente Yanes Pison e do holandês Margrave em seus livros fornecem noticias desta planta.

Tem folhas grossas, carnosas, de 20-50cm de comprimento sobre 8 de largura, firmes, quebradiça, terminadas na parte superior por uma ponta com as bordas cheias de pequenos espinhos dispostos de maneira dos dentes de uma serra; flores tubuladas de cor amarela, dispostas em espigas sobre um longo pedúnculo que parte do centro das folhas.aloe_vera_babosa

As folhas tem, na sua parte interna, uma polpa mucilaginosa inerte, apresentando na parte externa vasos próprios cheios de um suco amargo, que, depois de evaporado a consistência de extrato, constituem o produto usado na terapêutica soba denominação de Aloés.

Os processos empregados para a obtenção do Aloés são variáveis. Alguns usam corta as folhas carnosas pela base, dependurá-las sobre uma cuba, de maneira que esta receba o suco que escorre da incisão, evaporando-o depois ao sol ou ao fogo; outros contundem as folhas, expremem-nas e, pelo repouso, separam o suco que é evaporado a consistência necessária, ou então cortão as folhas em pequenos pedaços, mergulhando-os  durante dez minutos em água fervendo, substituindo-os por outros pedaços  até que o liquido fique bem carregado; deixam esse líquido, arrefecer e ficar em repouso durante algumas horas, e finalmente, separam por decantação o liquido, que é evaporado a fogo brando até a consistência de extrato mole e derramado em vasos apropriados, onde permanece até completa dissecação.

O primeiro processo dá um  produto mais puro, porém menos rendoso.

Conforme o processo empregado para sua extração, assim varia a coloração e opacidade do aloés, sendo geralmente frágil, quebradiço, translucido ou opaco, de cor castanha preta ou chocolate, de sabor muito amargo, aroma particular e dando pela pulverização um pó amarelado.

O aloés translucido, solido ou mole, de cor avermelhada, de aroma não desagradável, é o que é conhecido por Aloés  socotrino, ou Aloés lucido; sendo da cor do fígado opaco, é denominado aloés hepático, e o que se apresenta em massa de cor preta, de aromas nauseoso, de sabor desagradável, contendo diversas impurezas, é chamado: Aloés caballino (de cavalo) pelo uso que deles fazem estes animais.

O aloés puro é solúvel no álcool e na água fervendo, insolúvel no clorofórmio, no sulfureto de carbono e no éter.

A composição química do aloés é um tanto variável, conforme a sua proveniência; o aroma que ele possui é devido a um óleo especial de cor amarelada.

As folhas da babosa são usadas, quando frescas e contusas, como emolientes e resolutiva.

A parte interna carnosa das folhas é separada, lavada, cortada sob a forma de supositórios e aplicada como calmante contra os acessos hemorroidários.

As folhas secas, em cozimento, são usadas como emolientes e a parte mucilaginosa das frescas é aplicada  topicamente para evitar a queda dos cabelos. São também usadas para desmamar as crianças, aplicando o suco topicamente nos bicos dos seios, dando mais um forte amargo.

Contusas e fervidas as folhas frescas com óleo de amêndoas até completo desaparecimento de toda umidade, é obtido, depois de filtrado e aromatizado com diversas essências, o produto chamado “óleo de babosa”, muito afamado para evitar a queda dos cabelos e ajudar o seu crescimento.

O suco seco, ou em extrato mole (aloés), é usado internamente contra as dispepsias, nos estados congestivos do fígado, nas hidropisias, nas hemorróidas, nas diversas moléstias da pele, como anthelmintico.

A palavra babosa resulta da semelhança que há entre entre o suco mucilaginoso exsudado da planta por incisão e o produto da secreção salivar, quando excessivamente espesso (baba), principalmente em certas espécies de animais.

domingo, 17 de outubro de 2010

Serjania cuspidata Camb, Timbó de Peixe

Paulinia guarania Vellozo, trepadeira de ramos pubescentes, com pecíolo de três folhas, bastante vulgar nos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas e Minas Gerais.

A planta fresca, esmagada é utilizada para a pesca em lagoas ou áSerjaniaguas de pouca correnteza, usada também batida fortemente dentro d’ água, de modo a tontear os peixes, que assim se deixam apanhar com a mão.

Esta planta foi analisada e se achou óleo essencial, de aroma particular agradável muito parecido com uma mistura de essência de arruda e de salvia. O principio denominado Ichthyotonina é um álcali orgânico volátil, muito parecido com a Conicina da Cicuta virosa; ele tem aparência de óleo é de cor amarelada e o seu sabor é acre desagradável de aroma viroso, um tanto semelhante ao de fumo. Foi obtido por destilação das folhas frescas com potassa caustica em solução diluída, segundo processo usado para a obtenção da Comicina. Este princípio orgânico volátil paralisa os músculos respiratórios, o coração e o diafragma e daí a morte por asfixia. A Ichthyotonina produz efeitos tóxicos por simples inspiração e em contato com os ácidos forma sais cristalizáveis. Das Serjanias a mais tóxica para os peixes é a Serjania ichthyoctoma Radlk

A Serjania serrata, Radlk denominado popularmente Timbó legítimo ou Timbó peixe, é planta arbustiva, trepadeira que se encontra nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A Serjania triste Radlk, é chamada Cipó timbó ou Timbó do campo, no Estado de Minas Gerais e São Paulo; a Serjania acuminata, Radlk, planta de caule trepador, muito longo, e também conhecida no estado do Rio de Janeiro pelo nome de Timbó legitimo ou Tingui legítimo.

O Timbó grande ou Timbó de boi é a Serjania carnotheana, Camb, planta trepadora que se encontra nas florestas dos estados do Rio de Janeiro, Bahia , Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, também muito procurada para envenenar peixe e matar a bicheira do gado.

As Serjania possuem geralmente as mesmas propriedades toxicas de embriagar ou envenenar os peixes.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Tephrosia cinérea. Pers, tóxica para os peixes

Tephrosia-cinerea

É uma planta rasteira de 60cm a 1m de altura, com os ramos cobertos de pelos acinzentados; as suas flores são de cor violácea e o fruto é uma vagem de 4 a 6cm de comprimento sobre 2cm de largura. A casca do rizoma é lenhosa e possui as mesmas propriedades e tem os mesmos usos que as raízes de Thephrosia toxicara: seu nome vulgar é Tingui rasteiro ou Timbó.

Em São Paulo, denomina-se Tingui ou timbó á Thephrosia rufescens de Benthan.

Ainda pertencente a esta família , temos o Guaraná-Timbó ou Timbó, que é a Comptosema pinnatum de Benthan, planta arbustiva de 1 a 3 m de altura, pouco ramosa, de folhas alternas, pecíolo comum, de 10 a 20 cm de comprimento, tendo 7 folíolos ovais oblongos, agudos, com 15cm, mais ou menos cada um, sobre 3 ½ de largura. As suas flores são de bela cor rósea e o seu fruto é uma vagem de 15cm, mais ou menos de comprimento, sobe 4cm de largura. Este Timbó é encontrado geralmente nas proximidades dos rios, particularmente no Estado de Minas Gerais.

Esta Camptosema, corresponde a Piscidia erytrina de Vellozo, que é o Timbó de raiz , Timbó boticário ou Guaraná-Timbó, por corruptela de Uaraná ou Guaraná cujo nome vulgar corresponde, á afamada Paulinia cupana de Kunth.

Casca da raiz da nossa Comptosema é considerada toxica, principalmente para os peixes e quando esmagadas e batidas na água.

Esta mesma casca quando fresca é usada para curar a sarna e matar a bicheira dos animais. É na família das Sapindaceas que se encontra o maior numero de plantas para envenenar peixes e quase todas com os mesmo nomes vulgares das plantas da família das Leguminosas já mencionadas, sendo que a maioria destas plantas são trepadeiras e, algumas, até, formando cipós de grande grossura.

O timbó peixe ou Tingui e a Serjania cuspidada Camb. Ou Paulinia guarumina Vellozo, trepadeiras de ramos pubescentes, com pecíolo de três folhas, bastante vulgar nos estados do Rio de Janeiro, Bahia, Alagoas e Minas Gerais.

A planta fresca, esmagada, é utilizada para a pesca em lagoas ou águas de pouca correnteza.

Esta planta analisada por Gustavo Peckolt encontrou em 1000grs de folhas frescas:

Óleo essencial 1,013grs

Ichthyotonina 0,010grs

Ácido serjanico 0,053grs

O óleo essencial possui um aroma particularmente agradável muito parecido com uma mistura de essência de arruda e de salvia. A sua densidade é de 15ºC 0,918. O princípio que denominamos Ichthyotonina é um álcali orgânico volátil, muito parecido com a Conicina da Cicuta virosa; ele tem aparecia de um óleo, é de cor amarelada e o seu sabor é acre desagradável e de aroma viroso, um tanto semelhante ao do fumo.

Foi obtido pela destilação das folhas frescas com potassa caustica em solução diluída, segundo o processo usado para a obtenção da Conicina. Este principio orgânico volátil paralisa os músculos respiratórios, o coração e o diafragma e dai a morte asfixia. A Ichthyotonina produz efeitos tóxicos por simples inspiração e em contato com os ácidos formam sais cristalizáveis. Assim como esta Serjania, temos muitas outras igualmente usadas e para os mesmos fins que aquela e dentre as quais mencionaremos a Serjania ichthyoctoma Radik, bastante comum nas matas do Rio de Janeiro; esta planta muito tóxica para os peixes.

Araucária brasiliana, A.Ric. Lamb

É uma árvore, magnífica, sempre vede, piramidal, com cerca de 50m de altura e 6 de circunferência; ramos 4-8, verticilados, brotando circularmente do tronco; folhas escamosas e ásperas, imbricadas; flores variadas no extremo dos ramos, reunidas no extremo dos ramos, reunidas em cachos de forma cônica, compostas de escamas, sendo as masculinas colocadas nas axilas das escamas; as femininas de forma oval; o fruto com 15cm, pouco mais ou menos de extensão, de forma cônica, superfície escamosa, de cor verde, constituído pela reunião de escamas que envolvem a semente, queAraucarias do Parana são de forma cônica alongada em um eixo comum, cujo ápice é voltado para fora formando a parte verde exterior do fruto; as sementes envoltas em cada escama da pinha, á proporção que se concentram, tomam uma cor avermelhada no ápice, mesclada de manchas escuras; cada uma delas compõem-se de um tegumento duro e coriáceo difícil de romper-se; segue-se depois uma membrana delgada, avermelhada que envolve uma amêndoa branca oleosa, leitosa antes de madura.

O vegetal floresce no mês de agosto carecendo de 10 a 11 meses para o completo desenvolvimento dos frutos, dando 60 a 80frutos e cada um destes contendo 600 a 800 bagas, das quais 120 a 250 acham-se frutificadas e as outras são chatas e sem amêndoas.

Encontra-se em quase todo o sul e sudeste do Brasil, principalmente no estado do Paraná, onde aparece em maior quantidade formando a Floresta de Araucárias.

É cultivada no jardim como planta de adorno. AsPinhoes sementes denominadas “pinhão”, privadas da parte coriácea, cruas ou cozidas, são alimento para o homem e para animais. As amêndoas secas ao calor, e reduzidas a pó, fornecem uma farinha nutritiva de fácil conservação; torradas e misturadas com leite e açúcar, dão uma bebida semelhante ao chocolate. 

O eixo onde se acham alojadas as bagas constitui, no estão verde, uma haste semelhante ao sabugo da espiga de milho, protegida por uma substância glutinosa conhecida vulgarmente por goma de pinhão, usada contra as afecções pulmonares.

Uma haste fornece 15 a 20grs da substância glutinosa que é separada com facilidade, sendo esta da consistência de extrato mole, de cor pardacenta, sem aroma, mucilaginosa e de sabor particular.

Os amantilho das flores masculinas verdes são muito resinosos, possuindo um aroma não desagradável, um pouco semelhante ao do zimbro, (Juniperus comunis, L)

O caule da árvore deixa exsudar um liquido aromático que, ao contato do ar, no fim de algum tempo, se endurece, sendo conhecido pelo nome de resina de pinheiro; a qual é usada internamente em xarope como peitoral; raras vezes externamente.

Resina de Araucaria

Esta goma-resina, seca e exposta ao calor do fogo em vaso apropriado, amolece sem se fundir e sobre um forte calor arde com chama fuliginosa, espalhando aroma semelhante ao do incenso.

A madeira do pinheiro é usada para construção civis e naval, podendo distinguir-se três variedades: branca, parda e vermelha, o que depende provavelmente do terreno e localidade onde o vegetal cresce.

É superior em qualidade ao pinho de Riga e outras madeiras semelhantes importadas.